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Calma, sorridente, tranquila, acredito que as relações humanas sejam possíveis a partir do diálogo e do equilíbrio entre razão e emoção. Família, amizade, fé, respeito, fidelidade, alegria, dignidade, verdade e amor são muito importantes para mim. Ser feliz é o meu maior objetivo.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A histórica Bananal

  A histórica Bananal

    Hoje, estamos saindo da cidade grande e indo em direção ao passado.  Bananal nos aguarda.  É como se a porta do tempo se abrisse diante de nós e nos deixasse ver um mundo do qual nós só temos notícia através da mídia...

    O Vale do Paraíba sempre esteve presente na rota dos viajantes no Brasil Colonial.  Naquele tempo, o ouro vinha das Minas Gerais passando por ali, através da Serra do Mar em direção ao porto de Paraty onde era desembarcado para o Rio de Janeiro e Europa.  O mesmo navio que levava nosso ouro,trazia escravos também e ao longo desse percurso foram aparecendo povoados que serviam de pouso para viajantes e tropeiros.  Quando se abriu um novo caminho que ligava diretamente as minas ao Rio de Janeiro, essa região desapareceu.  No entanto, com a descoberta de ouro em Goiás e Mato Grosso e com o comércio de gado que vinha do Rio Grande do Sul para abastecer a região mineira, o Vale do Paraíba voltou a ser passagem obrigatória para as comitivas.

    Só que nessa época ainda faltava um caminho por terra que ligasse as capitanias de São Paulo ao Rio de Janeiro, já que, por mar, era muito perigoso por causa dos ataques de piratas cujo objetivo era o roubo do ouro guardado nos porões dos navios.  Foi quando o capitão-mor de Guaratinguetá, por ordem de Sua Majestade, abriu esse caminho pela Serra da Bocaina.   E, para povoar aquelas terras, foram doadas, sesmarias àqueles que se haviam empenhado na construção dessa estrada.  Elas serviriam de ponto de apoio aos viajantes.  Uma dessas sesmarias, a do rio Bananal, foi entregue à família Camargo.  Em 1783, eles mandam construir uma capela simples dedicada ao Senhor Bom Jesus do Livramento.  Em torno dessa capela, cresce, então, o povoado de BANANAL.
    Há duas versões para o nome da cidade.  Uma delas vem do Tupi-Guarani “banani” que significa “rio sinuoso”.  Outra teria referência ao “Pouso de Bananal” no caminho novo do Rio de Janeiro, parada obrigatória dos tropeiros que iam para o Rio de Janeiro ou São Paulo, trecho marcado por grandes plantações de bananeiras.
Na primeira fase da ocupação do Vale do Paraíba, a preocupação era a lavoura de subsistência.  No início do século XIX, quando a cultura do café chega à região, encontra terras férteis e clima propício, atraindo assim, grandes investimentos que haviam sido acumulados desde a vinda de Dom João VI e a Corte Portuguesa para o Brasil.
    À princípio, os lucros do café serviam para a compra de mais escravos e ampliação da lavoura.  A vida era simples e as sedes das fazendas, rústicas.  Em volta delas, os terreiros de café e as senzalas...
    Em 1836, Bananal já era o segundo maior produtor de café de São Paulo e concentrava parte dos fazendeiros mais ricos do vale.  Daí, então, os fazendeiros começaram a mudar o seu modo de vida.  As sedes das fazendas ficaram sofisticadas: móveis vindos da Europa, quadros de pintores famosos nas paredes, grande número de escravos... E os filhos eram mandados a estudar na Europa.  Era a influência da Corte Francesa que se estabelecia.
    Em Bananal, “Os Barões do café” formavam a elite do império.  Com dinheiro depositado no Banco de Londres, tornaram-se avalistas do Brasil no enfrentamento da Guerra do Paraguai.  A cidade chegou a ter sua própria moeda. Um dos fazendeiros locais chamado Valin, dono da RESGATE, teria, ao morrer, em 1878, quase 1% de todo o papel moeda emitido no país.  Mas a “época do ouro verde” chega ao fim.  A terra exausta e a abolição da escravatura enfraquecem a economia local.  O gado toma o lugar dos cafezais.

    Perdem-se no tempo o poder e a riqueza dessas famílias que passam a brigar por heranças e a viver de lembranças.
    Por volta de 1950, a abertura da Via Dutra desativa a estrada dos tropeiros, definitivamente.  Cidades inteiras morrem.
    Hoje, Bananal nos convida a dividir conosco toda a sua história, seus tempos de riqueza e o que restou dessa época de luxo representada por seus casarões no centro histórico. 




    Há, na região, antigas fazendas que conseguiram manter preservadas as suas casas grandes abrindo-as para visitação ou mesmo recebendo visitantes como hóspedes.




    A 135km do Rio de Janeiro, encravada no sopé da Serra da Bocaina, a cidade paulista de BANANAL aguarda por você.  Vá conhecê-la!  Você vai amar!
                                                                                               Constancia de Azevedo